Taça é a peça que mais gera insegurança na hora de carregar a máquina, e com razão: é fina, é alta, é instável e normalmente é a louça de que a casa mais gosta. Mas o risco nela não é um só, são três, e cada um pede um cuidado diferente.
Os três riscos, separados
- Lasca e trinca: dano mecânico, de peça batendo em peça ou balançando no cesto. É o mais comum e o mais evitável.
- Mancha branca: depósito de minerais da água, some com vinagre. Incomoda, mas não é dano.
- Aspecto leitoso permanente: corrosão do vidro, por calor e alcalinidade repetidos. Não tem volta, e é esse que assusta.
Distinguir importa, porque a reação costuma ser errada: quem vê mancha aumenta a dose de produto, e dose alta é justamente o que acelera a corrosão. O teste para separar os dois primeiros está em manchas brancas na louça: o que é água dura e como resolver.
A corrosão do vidro, em uma frase
Calor alto, detergente alcalino e água muito branda, repetidos ciclo após ciclo, vão retirando microscopicamente a superfície do vidro. A peça perde o brilho e ganha um véu que não sai com nada, porque não é sujeira: é o próprio vidro que mudou.
O processo é lento e cumulativo. Uma taça lavada na máquina de vez em quando não corre risco; a que vai todo dia no programa mais quente, com dose cheia, corre.
Como baixar o risco sem abrir mão da máquina
- Escolha o programa mais brando que der conta, e nunca o intensivo para vidro.
- Use a função de vidros delicados, se o seu modelo tiver: ela trabalha com temperatura menor.
- Não exagere na dose de detergente, principalmente em água branda.
- Mantenha o secante abastecido: ele reduz a mancha, e menos mancha significa menos tentação de subir a dose.
- Evite lavar taça em carga pequena e quente só por conveniência.
Posição: a parte que depende só de você
Quase toda lasca nasce de contato ou de balanço. A taça precisa estar presa e isolada, e isso se resolve com arranjo, não com programa.
- Sempre no cesto superior, nunca no inferior, onde o jato é mais forte.
- Inclinada, apoiada entre os arames, para a água escorrer e a peça não acumular poça no pé.
- Usando o suporte de hastes do cesto, quando existir: foi feito para o pé da taça.
- Com um dedo de folga para qualquer vizinha. Vidro encostado em vidro é o que lasca.
- Nunca presa por pressão entre dois arames: a variação de temperatura faz a peça trabalhar.
Cristal é outra conversa
O que se chama de cristal costuma ser vidro com chumbo ou com outros óxidos, mais macio e mais sensível que o vidro comum. Peça antiga, de herança, com lapidação ou com filete dourado tem tudo para sofrer na máquina, e o dourado costuma sair mesmo.
Para essas, a pia continua sendo o caminho sensato. Não pela limpeza, que a máquina faz melhor, mas porque o risco não compensa em peça insubstituível.
A regra prática
Taça de uso diário, vidro comum ou temperado, sem detalhe metalizado: vai para a máquina sem medo, no cesto de cima, em programa brando. Taça fina de ocasião, cristal ou com dourado: pia.
A lista completa por material está em o que pode e o que não pode ir na lava-louças.


