Louça pintada, dourada e esmaltada na lava-louças

O que decide é se a pintura está sob ou sobre o esmalte, e dá para descobrir passando o dedo. Filete dourado, porém, nunca tem meio-termo.
Louça decorada guardada no armário

O aparelho de jantar da família, o prato pintado à mão trazido de viagem, a xícara com filete dourado. São as peças que mais geram insegurança na hora de fechar a porta da máquina, e com motivo: algumas aguentam sem problema e outras perdem a decoração de vez.

O que decide é onde a pintura foi aplicada

Em cerâmica e porcelana, a decoração pode entrar antes ou depois da camada de esmalte, o vidrado transparente que dá brilho à peça. Essa única diferença explica quase todos os casos.

Quando a pintura é aplicada antes e o esmalte entra por cima, ela fica selada sob vidro. Nada a alcança: nem o detergente alcalino, nem o jato, nem o calor. Essa peça vai à máquina a vida inteira.

Quando a pintura é aplicada depois, sobre o esmalte já pronto, ela fica exposta. Ciclo após ciclo, a combinação de calor e alcalinidade vai desbotando a cor, e o desgaste é cumulativo e sem volta.

O teste do dedo, de novo

Dá para descobrir sem conhecer a história da peça. Passe o dedo sobre o desenho, de olhos fechados se ajudar.

  • Superfície lisa, sem relevo: a decoração está sob o esmalte. Pode ir à máquina.
  • Dá para sentir o desenho em relevo: a decoração está sobre o esmalte. Prefira a pia.
  • Brilho diferente do resto da peça: também indica aplicação por cima.
  • Borda com cor que some em um trecho: o desgaste já começou.

Filete dourado e prateado: sempre na pia

Aqui não há meio-termo. Os filetes metálicos são aplicados por cima do esmalte, em camada finíssima, e o detergente da máquina os ataca diretamente. Primeiro eles perdem o brilho, depois ficam acinzentados, depois falham em trechos.

O processo não é dramático em um ciclo: é gradual, ao longo de meses, e muita gente só percebe quando compara com uma peça do mesmo jogo que ficou guardada. Aí já não dá para recuperar.

Louça esmaltada sobre ferro

As canecas e bacias esmaltadas, de esmalte sobre chapa de ferro, dependem de uma condição: que o esmalte esteja inteiro. Enquanto estiver, a peça se comporta como vidro e vai bem.

Com uma lasca, por menor que seja, o ferro fica exposto. A água quente alcança o metal e a ferrugem começa pela falha, alastrando por baixo do esmalte. Peça lascada vira caso de pia.

Peça artesanal e de viagem

Cerâmica artesanal costuma ser pintada à mo e, com frequência, por cima do esmalte, justamente para a cor ficar viva. É também onde o teste do dedo mais funciona.

Há ainda um ponto de porosidade: peça artesanal nem sempre tem vidrado uniforme, e cerâmica porosa absorve água, podendo trincar com a variação de temperatura. Para peça insubstituível, o risco não compensa a conveniência.

Para quem quer continuar usando a máquina

  • Programa brando, nunca o intensivo, para qualquer louça decorada.
  • Dose de detergente no ponto, porque excesso acelera o desbotamento.
  • Cesto superior sempre que couber.
  • Espaço entre as peças: decoração também se desgasta por atrito.
  • Retire assim que terminar, em vez de deixar horas na cuba quente e úmida.

A regra geral por material está em o que pode e o que não pode ir na lava-louças, e o caso parecido do vidro fino em taças e cristais na lava-louças.

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